Um legado em segurança
Após 12 anos à frente da Fenavist, Jeferson Nazário faz um balanço das principais conquistas de sua gestão, relembra os avanços institucionais que transformaram a segurança privada brasileira e aponta os desafios que ainda mobilizarão o setor nos próximos anos.
Foram doze anos marcados pelo diálogo, pela articulação institucional e pela construção de uma agenda que consolidou a segurança privada como protagonista nas discussões nacionais. Sob a liderança de Jeferson Nazário, a Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) acompanhou mudanças históricas para o segmento, entre elas a aprovação e regulamentação do novo Estatuto da Segurança Privada, o fortalecimento da interlocução com a Polícia Federal, Congresso Nacional e demais instituições, além de iniciativas voltadas à valorização das empresas, dos profissionais e ao combate à clandestinidade.
Às vésperas de encerrar sua gestão, Nazário relembra os principais marcos dessa trajetória, destaca a importância da atuação conjunta com os sindicatos estaduais, entre eles o Sindesp-MG, e compartilha sua visão sobre os caminhos que deverão orientar o futuro da segurança privada no Brasil.
1. Após 12 anos à frente da Fenavist, o senhor encerra um ciclo marcado por importantes avanços para a segurança privada brasileira. Ao olhar para essa trajetória, quais conquistas considera mais relevantes e qual legado espera deixar para o setor?
Foram 12 anos de muito trabalho, diálogo e construção coletiva. Tivemos conquistas que considero históricas, especialmente a aprovação da Lei nº 14.967/2024 e, posteriormente, de sua regulamentação, concluída em junho de 2026. Foi uma demanda aguardada por décadas e construída com a contribuição de diferentes gestões e de todo o setor.
Também fortalecemos a atuação institucional da Fenavist junto aos Poderes Executivo e Legislativo, à Polícia Federal e às principais entidades representativas do País. Durante a pandemia, trabalhamos pela preservação das empresas e de aproximadamente 600 mil empregos diretos, além do reconhecimento da segurança privada como atividade essencial. Avançamos ainda no combate à clandestinidade, na criação do INASEP, na valorização dos vigilantes, na agenda de diversidade com o programa Segurança sem Preconceito e na aproximação do setor com experiências e referências internacionais.
O legado que espero deixar é o de uma entidade forte, respeitada, unida e preparada para enfrentar os desafios do futuro, sempre em defesa das empresas, da legalidade e da valorização do setor.
2. Durante sua gestão, a Fenavist fortaleceu sua atuação junto à Polícia Federal, ao Congresso Nacional e a outras instituições estratégicas. Como esse diálogo contribuiu para ampliar a representatividade da segurança privada e consolidar pautas importantes para as empresas do segmento?
Sempre defendi que o diálogo é o caminho mais eficiente para construir soluções duradouras. A aproximação da Fenavist com a Polícia Federal, o Congresso Nacional, a CNC e outras instituições permitiu que a Federação estivesse presente nas principais discussões que impactam o setor. Essa atuação deu voz às empresas e possibilitou a apresentação de propostas técnicas, baseadas na realidade da segurança privada, em temas como legislação, tributação, licitações, relações de trabalho, novas tecnologias e inteligência artificial.
Essa interlocução produziu resultados concretos. Participamos ativamente da construção e da regulamentação do Estatuto, contribuímos para o reconhecimento da segurança privada como atividade essencial durante a pandemia, atuamos ao lado da Polícia Federal no fortalecimento da fiscalização e defendemos os interesses do setor em debates tributários, trabalhistas e regulatórios. A Fenavist deixou de ser chamada apenas para conhecer decisões e passou a participar tecnicamente de sua construção.
3. A Fenavist reúne sindicatos empresariais de todo o país, que atuam diretamente na defesa dos interesses regionais. Na sua avaliação, qual é a importância dessa integração entre a Federação e entidades como o Sindesp-MG para o fortalecimento institucional da segurança privada brasileira?
A força da Fenavist sempre esteve na união dos seus sindicatos filiados. Nenhuma Federação é forte sozinha; ela se fortalece por meio da participação ativa das entidades estaduais. O Sindesp-MG é um grande exemplo dessa atuação responsável e comprometida.
Essa integração amplia nossa capacidade de compreender as diferentes realidades regionais e levá-las, com força e legitimidade, ao debate nacional. Quando trabalhamos de forma coordenada, conseguimos defender melhor os interesses das empresas, fortalecer o sistema sindical patronal e construir propostas mais consistentes para todo o setor.
Ao longo da nossa gestão, essa aproximação foi estimulada por reuniões, grupos de trabalho, consultas técnicas, ações coordenadas de comunicação e pela realização dos Encontros das Empresas de Segurança Privada, os Enesp, em diferentes regiões do País. Foram promovidas 11 edições, sempre em parceria com os sindicatos locais. A representatividade nacional da Fenavist começa justamente na escuta e na participação das entidades estaduais.
4. O Sindesp-MG tem desempenhado papel ativo nas discussões nacionais promovidas pela Fenavist. Como o senhor avalia essa parceria ao longo dos últimos anos e de que forma a atuação conjunta contribuiu para o desenvolvimento de pautas de interesse do setor?
O Sindesp-MG tem uma importância histórica para a Fenavist, inclusive por estar entre os sindicatos que participaram de sua fundação, em 1989. Ao longo da nossa gestão, manteve presença ativa nas discussões nacionais, contribuiu tecnicamente para a formulação de propostas e participou das principais mobilizações do setor.
Minas Gerais também recebeu uma das edições do Enesp, fortalecendo a aproximação com empresários e lideranças da região. Essa colaboração fortaleceu o trabalho da Fenavist e demonstrou que os resultados mais relevantes são alcançados quando há diálogo, cooperação e alinhamento entre as entidades representativas.
Sempre encontramos no Sindesp-MG abertura para a construção conjunta, responsabilidade institucional e compromisso com os interesses coletivos, mesmo nas discussões mais complexas.
5. Um dos pilares da sua gestão foi a defesa da união entre as entidades representativas e o fortalecimento do sistema sindical patronal. Na sua visão, quais são os principais desafios para manter essa articulação e garantir que o setor continue avançando de forma coordenada nos próximos anos?
O principal desafio é preservar essa cultura de união e diálogo permanente. Vivemos um período de rápidas transformações, com mudanças legislativas, avanço tecnológico, novas demandas de mercado e desafios relacionados às relações de trabalho. Nenhuma entidade conseguirá enfrentar esse cenário isoladamente.
O desafio imediato será transformar as possibilidades abertas pelo novo Estatuto em resultados concretos. Isso exigirá acompanhar sua implementação, orientar as empresas, apoiar a adaptação às novas regras e manter uma atuação firme contra a clandestinidade. Também teremos de enfrentar temas como reforma tributária, licitações, aprendizagem profissional, transformação tecnológica e qualificação de empresários e trabalhadores.
Para isso, será cada vez mais importante fortalecer o sistema sindical patronal, ampliar a participação dos sindicatos nas discussões nacionais e manter uma interlocução técnica e responsável com os poderes públicos. Não tenho dúvida de que a união continuará sendo o maior patrimônio da nossa representação institucional.
6. Ao transmitir a presidência da Fenavist, que mensagem o senhor deixa aos empresários, dirigentes sindicais e lideranças que continuarão trabalhando pela valorização da segurança privada no Brasil? Quais prioridades o setor deve manter no horizonte para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela Federação?
Encerro este ciclo com um sentimento de gratidão e confiança. Gratidão a todos que caminharam conosco durante esses anos e confiança de que a Fenavist continuará exercendo um papel protagonista na defesa do setor.
Entregamos a Federação em um momento de retomada. Em março de 2026, o setor já contava com mais de 588 mil vigilantes regulares, cerca de 100 mil a mais do que em 2023. Esses números representam não apenas empregos, mas milhares de famílias que recuperaram renda, dignidade e esperança.
Deixo uma mensagem de união, participação e compromisso institucional. Precisamos agora garantir a efetiva implementação do Estatuto da Segurança Privada, para que a modernização da legislação se traduza em novos investimentos, formalização, geração de empregos, segurança jurídica e fortalecimento da fiscalização. Devemos continuar firmes no combate à clandestinidade, na valorização das empresas regulares, na inovação tecnológica e no fortalecimento da parceria com a Polícia Federal e as demais instituições.
Tenho convicção de que a nova diretoria, comandada pelo presidente Flávio Sandrini, dará continuidade a esse trabalho com responsabilidade, diálogo e dedicação, sempre em defesa da segurança privada brasileira. Deixo a Presidência, mas não deixo a segurança privada. Continuarei à disposição para apoiar a Fenavist, a nova diretoria e todos aqueles que trabalham pelo fortalecimento do nosso setor.
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